segunda-feira, 5 de julho de 2010

Beatriz e Virgílio - Yann Martel [Opinião]

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Título: Beatriz e Virgílio
Autor: Yann Martel
Título Original: Beatrice and Virgil
Tradução: Fátima Andrade
Páginas: 176
Colecção: Grandes Narrativas
N.º 472
PVP: 13,50€
Data de Publicação: 6 Julho 2010

Em Beatriz e Virgílio, Henry, um escritor reconhecido, decide escrever um livro que é meio ficção e meio ensaio. Porém é completamente desencorajado pelos seus editores e desiste do projecto, indo viver para outra cidade com a mulher. Aí, contudo, continua a receber cartas de leitores. Um dia dentro de um sobrescrito encontra uma cópia de um conto de Flaubert, um enigmático excerto de diálogo entre dois personagens e um pedido de ajuda.

A minha opinião:
Envolvente é a melhor palavra para definir este livro. Com uma história lindíssima, entre Beatriz e Virgílio, Yann Martel define muito bem os horrores do Holocausto.
Henry, um conhecido e reputado escritor de best-sellers sai do seu país natal quando um livro que projectara de uma forma diferente e em que relatava os horrores do Holocausto lhe é vetado pela sua editora. Decide partir com a mulher para uma outra cidade e aí fazer uma nova vida, completamente diferente do que havia feito até agora. Nessa nova cidade Henry começou a trabalhar numa cafetaria até que conhece um seu homónimo que lhe envia um excerto de uma história um tanto ou quanto estranha: uma conversa entre dois animais (uma burra e um macaco) que falam de fruta e, sobretudo, de uma pêra. Juntamente com esse excerto vinha um outro, “A Lenda de São Julião Hospitaleiro” de Flaubert. O intuito do outro Henry era pedir-lhe auxílio, embora o escritor não soubesse efectivamente de que auxílio se tratava. Começa a procurar o autor do excerto e vai dar com uma loja de animais embalsamados e conhece o taxidermista Henry e, juntamente com ele, conhece a totalidade da história de Beatriz e Virgílio, a burra e o macaco que dissertavam sobre fruta.
À medida que vai conhecendo melhor a profissão do taxidermista, vai também explorando o diálogo que vão tendo os animais e descobre que este é uma alegoria ao Holocausto. Coincidência ou não, o mesmo tema que haviam recusado os seus editores. De uma outra forma o taxidermista comparava o extermínio dos Judeus ao extermínio dos próprios animais (alguns deles já extintos) e que ele tentava recuperar, quanto mais não seja, através de reproduções ou do embalsamento.

Excertos:
“Para mim, a fé é como estar ao sol. Quando se está ao sol, pode evitar-se criar sombra? Pode sacudir-se essa área de escuridão que se agarra a nós, sempre com a nossa forma, como se quisesse lembrar-nos constantemente de nós próprios?”

“Estava a ver o extermínio trágico dos animais através do destino trágico dos judeus.”

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