quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dona Maria, a Empregada de Cavaco - António Ribeiro [Opinião]


Título: Dona Maria, a Empregada de Cavaco Autor: António Ribeiro
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 192
Editor: Esfera dos Livros
ISBN: 9789896263652
PVP: 15€

Sinopse:
Nascida em Horta da Vilariça, no final dos anos 40, Maria chegou a Lisboa ainda na flor da juventude. Nascida para trabalhar, rapariga de muita discrição, cedo ganhou a admiração nos corredores do Palácio de Belém. Testemunha privilegiada do dia a dia do palácio, Maria traz-nos ao longo destas páginas o relato inédito e não censurado dos bastidores da presidência do Professor Aníbal Cavaco Silva. Dos pequenos episódios da vida doméstica às audiências com as grandes figuras da política internacional, tudo é aqui registado de forma simples e apaixonada pela empregada do Presidente da República.

A minha opinião:
Muito semelhante ao Cão de Sócrates que tive oportunidade de ler no ano passado, surge agora Dona Maria, a Empregada de Cavaco publicado novamente pela Esfera dos Livros. Este é um livro de sátira sobre a política portuguesa e, como toda a sátira, vai dizendo umas verdades sobre o país e governantes que temos.
Desta vez António Ribeiro criou D. Maria uma criada muito peculiar e que vê no seu patrão, o Presidente da República, um exemplo a seguir. Para ela, Cavaco Silva é o seu ídolo.
Dos sete presidentes que serviu ao longo de 40 anos ao serviço do Palácio de Belém, o presidente Cavaco é a pessoa por quem nutre mais afecto. E não entende como é que lhe fazem duras críticas ao longo do seu mandato.
Desde as escutas no seu gabinete, ao episódio do bolo-rei, passando pela lei do casamento homossexual, pelo BPN, da casa de férias no Algarve, até à célebre frase de que as duas pensões não lhe chegavam para as despesas, D. Maria é sua defensora acérrima.
Um livro a não perder.

Excertos:
“O senhor Almirante Américo Tomás, como velho lobo-do-mar que era, adorava peixe… O General António Spínola não dava trabalho nenhum na cozinha. Só comia rações de combate. O Senhor General Costa Gomes era muito difícil de contentar à mesa. Não era carne nem peixe. O senhor General Ramalho Eanes quando chegou ao palácio tinha cara de quem comia comunista ao pequeno-almoço. O Senhor Doutor Mário Soares comia tudo o que fosse francês. O Senhor Doutor Jorge Sampaio adorava pãezinhos sem sal…. O Senhor Presidente é um homem que tem orgulho em ter sido do povo há muitos anos atrás e por isso come qualquer coisa que seja popular. Só há uma coisa que o Senhor Presidente não come: bolo-rei.”

“E depois, o senhor Professor Cavaco Silva não precisava dos votos da esquerda para ser reeleito. Todos nós sabemos que em Portugal um presidente para ser reeleito basta estar vivo.”


“Não se pense que o Senhor Presidente não é um homem de cultura… O Senhor Presidente tem tanto respeito pelos livros que raramente lhes toca para não os estragar.”


“Eu tenho medo dos chineses. Não é que eles não sejam simpáticos. Até me ofereceram um porta-chaves da EDP escrito na língua deles quando cá vieram.”

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