sábado, 18 de agosto de 2012

O Jardim dos Segredos - Kate Morton [Opinião]

Título: O Jardim dos Segredos  
Autor: Kate Morton
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 552
Editor: Porto Editora
PVP: 18,80€

Sinopse:

Uma criança perdida: em 1913 uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto.

Um terrível segredo: no seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.

Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.

A minha opinião:

Quando escreveu o seu primeiro livro, Kate Morton achou a fórmula para o sucesso: os espaços temporais que prendem o leitor e o levam a descobrir o passado das personagens que habitam nos seus livros.

Em O Jardim dos Segredos Kate Morton leva-nos a descobrir três personagens que têm o seu encanto, cada uma do seu jeito. Eliza, jovem extrovertida que viveu no início do século XX, e foi de todas a personagem que mais gostei. Nell, uma mulher apagada, que busca pelo seu passado, mas que a certa altura para de procurar respostas, por volta de 1975 e Cassandra a jovem que vai descobrir a verdade das suas antepassadas já no século XXI.

Uma criança de quatro anos é deixada sozinha num porto da Austrália. Sem ninguém para a resgatar Hugh, funcionário do mesmo porto decide ficar com ela até que alguém a reclame. O casal Hugh e Lil afeiçoam-se à menina e acabam por adoptá-la, sem que ninguém se aperceba disso. Só mais tarde Nell vai descobrir que não é filha deste simpático casal. Depois de descobrir a verdade, a sua personalidade muda completamente e torna-se numa pessoa diferente, mais introvertida e isola-se. Até que em 1975 decide tentar descobrir o mistério da sua vida.

Recuando no tempo, a autora dá-nos a conhecer Eliza, uma autora de contos de fadas, exímia em contar histórias de encantar e em arrebatar corações com os seus cabelos ruivos soltos ao vento. Mas a sua personalidade vai trazer-lhe dissabores, sobretudo às mãos de uma tia (a bruxa má) que lhe faz a vida negra. Do outro lado, e na mesma época, vemos a simpática, Rose, uma menina apática, abatida pelas constantes doenças de que é vítima. As duas encetam uma longa amizade o que enraivece a tia de Eliza, mãe de Rose.

Noutra época, e década depois de ter descoberto a verdade sobre a sua vida, Nell parte em busca das suas origens, da Austrália até à Cornualha. Apaixona-se pelo local e logo que descobre uma casinha abandonada de que ninguém quer saber, Nell tem várias recordações de um passado distante. Decide comprá-la e iniciar uma longa investigação.

Já no século XXI, em 2005, Cassandra, neta de Nell, descobre também a terrível verdade e, tal como a avó, parte para a Cornualha a fim de dar continuidade às buscas da Nell. Após a morte da avó Cassandra herda uma casa e uma mala e viagem de criança que acabam por ser grandes pistas para a sua investigação. Marcada por um enorme desgosto, Cassandra vê nesta viagem uma forma de terapia e também de distração.

E é com este mistério todo que Kate Morton leva o leitor a viciar-se em mais um livro seu aguardando ansiosamente pelos próximos. Depois de ter lido As Horas Distantes e O Segredo da Casa de Riverton, este é, sem dúvida, o melhor livro da autora.

Excertos:

“Precisamos de memórias para manter vivo o que existiu no passado.”

“Temos de construir a vida com o que temos e não com aquilo que queríamos ter.”

“Os que lá viviam pareciam mortos, dizia a minha mãe. Todos muito pesarosos por uma ou outra razão. Queriam todos aquilo que não podiam ou não deviam ter.”

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