quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Alice - Caroline Stoessinger [Opinião]

Título: Alice
Autor:
Caroline Stoessinger
Género: História
N.º páginas: 240
PVP: € 14,80

O livro:
Este livro relata a impressionante e inspiradora história da feroz determinação de uma mulher, Alice Herz-Sommer, actualmente a mais idosa sobrevivente do Holocausto.
Alice nasce em 1903, em Praga. Toda a sua infância e juventude são influenciadas pela riquíssima cultura de língua alemã e checa da Europa Central da época: Kafka, Max Brod, Stefan Zweig, Thomas Mann, Rilke ou Mahler fazem parte da sua vida. Influenciada pela mãe, inicia ainda criança a sua carreira de pianista e professora que a irá tornar famosa. Todos os seus sonhos foram cortados com o eclodir da Segunda Guerra Mundial. Alice vê-se num gueto com o seu filho e vive uma nova e dura realidade à qual, graças à música, consegue escapar.
Alice é uma história de amizade e optimismo, da importância de viver de uma forma simples e com esperança. É a história da música de uma vida em que não se desiste.

A minha opinião:

Sem ser particularmente chocante relativamente a relatos passados durante o Holocausto (confesso que já li livros bem piores), Alice tocou-me de uma forma particular porque é uma mulher forte, que ultrapassou os desaires da guerra de uma forma soberba e levou a vida para a frente sem quaisquer queixume. Imagine-se que a maior parte dos conhecidos e alunos, nem sequer sabiam que Alice era uma sobrevivente do Holocausto.

Nascida em Praga em 1903 faz de Alice a mais velha sobrevivente do Holocausto. Mas Alice não é só isso. Fantástica pianista desde muito nova, professora exemplar a quem os alunos recordam com ternura, Alice, do alto dos seus 109 anos, ainda leva uma vida “normal”. Toca todos os dias, vive sozinha, e é uma optimista por natureza. Perdeu o seu marido em Auschwitz, o seu filho e ela foram para o campo de concentração de Theresienstadt e saíram de lá vivos, muito graças ao talento que tinha e que os nazis apreciavam.

Foram muitos os judeus que morreram naquele campo de concentração. De 156 mil sobreviveram apenas 17. 500, mas Alice sempre tentou sorrir para o seu filhote, que lhe perguntava muitas vezes porque é que estavam ali, para que ele não se apercebesse tanto da maldade da guerra. Estes episódios fazem em muito lembrar o filme “A Vida é Bela” protagonizado por Roberto Benigni.

Depois de ter sido libertada Alice ainda viveu em Praga alguns anos, mas decidiu viver para Israel, local onde passaria parte da sua vida. Com a ida de Rafi, o seu filho, para Inglaterra, Alice deixa Israel e passa a viver em Inglaterra, onde ainda hoje vive.

Com uma cultura invejável, conviveu com os grandes da música, mas também da política e literatura, que a viriam a influenciar para a vida. Dona de grandes máximas, fiquei extasiada com o poder de atracção que exerce sobre qualquer um, até com o humilde leitor.

Excertos:
“Diante da tragédia do 11 de Setembro, Alice disse-me: “claro que foi terrível, mas porque está tão chocado? O bem e o mal existem desde a Pré-História. A forma como os encaramos, como lhes respondemos, é que é importante.”
“Talvez um dia sejamos suficientemente espertos para vivermos juntos e em paz.”

“A escola é apenas o início. Podemos aprender durante toda a vida.”

Sobre o filme de Kurt Gerron:
“O filme inclui o acto cuidadosamente encenado de um rapaz judeu a correr rua abaixo atrás de uma bola. Um nazi fardado apanha a bola e entrega-a à criança, fazendo-lhe uma festa na cabeça. Algumas semanas mais tarde, essa criança seria assassinada em Auschwitz.”
No fim do filme também o próprio actor e realizador do filme é mandado para o campo de concentração de Auschwitz para a câmara de gás.

Filme que retrata o campo de concentração:






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