quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Se os mortos não ressuscitam - Philip Kerr [Opinião]

Título: Se os mortos não ressuscitam
Autor:
Philip Kerr 
Tradutor: José Vieira de Lima
 Págs: 480 
PVP: 18,80 €

Sobre o livro:
Berlim, 1934. Os nazis garantiram a realização dos Jogos Olímpicos de 1936, mas enfrentam grande resistência estrangeira. Hitler e Avery Brundage, o presidente do Comité Olímpico dos Estados Unidos, tudo fazem para tentar encobrir o antissemitismo nazi e assim convencer a América a participar nos Jogos. Bernie Gunther, agora detetive num dos hotéis mais conceituados de Berlim, vê-se arrastado para este mundo de corrupção internacional, enredado entre as várias fações do aparelho nazi.
Havana, 1954. Fulgencio Batista, apoiado pela CIA, acabou de subir ao poder. Fidel Castro foi preso e a Máfia americana ganha poder sobre a indústria do jogo e da prostituição. Bernie, recentemente expulso de Buenos Aires, reemerge em Cuba com uma nova identidade, decidido a levar uma vida de relativa paz. No entanto, quando se depara com duas figuras do passado – um pérfido assassino dos tempos de Berlim, que pouco depois é misteriosamente assassinado, e uma antiga amante que, ao que tudo indica, poderá ser a responsável pelo crime –, percebe que não tem como lhe fugir.

A minha opinião:
Philip Kerr alia o policial à história e transporta-nos para a Alemanha de Hitler, em plena azáfama pela realização dos Jogos Olímpicos que serão realizados em 1936.

Na pele do protagonista, Bernie Gunther, vivenciamos o clima que antecede a Segunda Guerra Mundial, espelhando já nessa altura o ódio pelos judeus e por pessoas de “raça inferior”, ou seja, todas as raças que não sejam a ariana.

Gunther, também ele judeu em 4º ou 5º, despede-se como policia, por não se rever nas regras da polícia daquele tempo, e ocupa o seu tempo como detective de hotel, local onde conhece pessoas influentes e personagens principais em toda a trama.

Mantendo o seu gosto pela investigação, e sendo muito bom nisso, o detective cai de paraquedas na investigação dos interesses que estão por detrás da construção do estádio olímpico ao mesmo tempo que se relaciona amorosamente com uma misteriosa jornalista americana que se encontra em Berlim para fazer uma reportagem que despolete o boicote à Olimpíadas por parte dos americanos.

Na segunda parte do livro encontramos o protagonista em Cuba, numa altura em que a ditadura era chefiada por Fulgencio Batista, o opositor de Castro, que se encontra preso. Neste país, e sob uma identidade falsa, Gunther deseja viver quase como uma vida pacata, sem causar grandes atritos, até que encontra duas pessoas da sua vida passada que vão revolucionar toda a sua vida.

Não conhecia os livros de Philip Kerr, mas fiquei rendida. Apesar de até meio do livro não estar entusiasmada por aí além na história, com o evoluir da narrativa não consegui parar de ler até chegar ao seu final.

As duas épocas retratadas no livro, apesar de distintas, são bastante importantes para fazer deste livro brilhante. Por um lado o nazismo de Adolf Hitler e das atrocidades infligidas aos judeus antes mesmo de ter início a Segunda Guerra Mundial, e a Cuba de 1954, com polícias corruptos e onde os interesses dos hotéis e casinos eram em demasiado, com o presidente a ganhar 30% sob o valor do negócio.

Uma história excelente com um final de nos deixar de boca aberta.

O projecto Janus, que conta com o mesmo protagonista, já está na minha lista de próximas aquisições. 


Excertos:
"... antes dos nazis, falávamos livremente, mas não merecia a pena escutar aquilo que, livremente, toda a gente dizia."

"Um nazi é alguém que segue Hitler. Ser antinazi é escutar aquilo que ele diz."

"Está no destino de todas as raças. Todas se julgam as eleitas de Deus. Contudo, a estupidez de querer impor esse ponto de vista só acontece com algumas."

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