quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Império dos Homens Bons - Tiago Rebelo [Opinião]

Título: O Império dos Homens Bons
Autor:
Tiago Rebelo
N.º de Páginas:
536
PVP:
18,90€


Em 1847, na pequena vila de Inhambane, um punhado de famílias esquecidas pela coroa portuguesa luta heroicamente para impor uma nova civilização em território africano.  
Acabado de se ordenar em Lisboa, o jovem padre Joaquim Santa Rita Montanha é enviado para Moçambique com a sagrada missão de prestar apoio espiritual aos europeus e evangelizar os indígenas.
O seu sonho de realizar uma obra que fique para a história depara-se com dificuldades que parecem insuperáveis. Mas, apesar de todos os obstáculos, o padre Montanha nunca desiste dos seus objectivos ambiciosos e, em breve, torna-se o pilar desta pequena sociedade branca rodeada por milhares de guerreiros de tribos hostis.
Personagem complexa, o padre Montanha é um fervoroso homem de Deus que goza de invulgar prestígio mas não abdica de uma paixão arrebatada pela escrava Leonor, com quem vive um amor proibido.  É, sobretudo, o explorador que não hesita em enfrentar perigos imensos para concretizar uma viagem aos holandeses no interior do sertão e, assim, inaugurar as relações diplomáticas entre o reino de Portugal e os fundadores da futura República Sul-Africana.
Tal como o tenente Montanha, personagem inesquecível do seu anterior romance O Tempo dos Amores Perfeitos, o padre Montanha é antepassado do autor. O Império dos Homens Bons é resultado de uma minuciosa pesquisa sobre a vida deste homem singular e a recriação histórica de uma época de grande romantismo em África. Trata-se de um retrato de época brilhante e de enorme talento.

A minha opinião:
Para quem me conhece sabe que sou f ã de Tiago Rebelo, mas também romances históricos ou de época. Se puder aliar estes dois gostos num único livro só pode resultar em algo de bom. Apesar de um pouco grande, e ter alguns momentos um pouco maçudos, O Império dos Homens Bons lê-se muito bem, dada a escrita fluída e atrativa.

Tal como O Tempo dos Amores Perfeitos, publicado pelo autor em 2006, este novo livro que vai para as livrarias a 27 deste mês, o personagem principal é um antepassado do autor. Se no livro antecessor Tiago Rebelo retrata a vida de Carlos Montanha um jovem tenente do exército português que é destacado para Angola, em O Império dos Homens Bons o autor leva-nos numa viagem por Moçambique onde acompanhámos o dia a dia do padre Joaquim Montanha.

Após a retirada, por parte de D. Pedro, dos poderes ao Clero, com a extinção das ordens religiosas, Portugal vivia uma miséria que alastrava pelas ruas a olho nu. Descontente com o rumo que a política do rei estava a tomar, com a falta de riqueza, com a limitação do poder, da influência ecoomica e social por parte das ordens religiosas, Joaquim Montanha decide partir para África, nomeadamente para Moçambique em 1836. Portugal era pequeno para a sua ambição.

Inhambane, 1847. Joaquim Montanha ao mesmo tempo que luta pela instrução dos negros daquela pequena vila, ao mesmo tempo que vem com a missão principal de evangelizar os indígenas. No entanto, estas tarefas não se tornam fáceis de concretizar e o jovem padre vê-se com um trabalho muito árduo pela frente. As coisas pela vila tornam-se ainda mais complicadas quando Joaquim Montanha se toma de amores por Leonor, uma linda negra que trabalha em sua casa.

Mas o livro é muito mais que isso. Relata a vida de Joaquim Montanha em Moçambique, na vontade cada vez maior de desenvolver aquela pequena localidade, tendo chegado ao ponto de estabelecer relação com os holandeses a fim de fazerem um acordo comercial, que se viria a revelar um fracasso. No entanto, essa visita viria a ser a percursora do Tratado da Paz, Amizade, Comércio e Fonteiras, assinado a 29 de Junho de 1869.
Muito bom.

Excerto:
“...o padre era a pessoa mais bem informada de Inhambane e exercia uma influência decisiva na vida da vila.”
“Leonor não era já somente uma escrava com dono; era também a mulher que o padre cobiçava!”
"Tinha agora a perfeita noção de que, em África, os missionários não convertiam os negros. O que faziam era negociar almas. O indígena não era cristão pela fé, era cristão em troca de qualquer coisa."
 


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