sábado, 6 de julho de 2013

As Cinquenta Baboseiras de Toni - Roseella Calabró [Opinião]

Título: As Cinquenta Baboseiras de Toni
Autor:
Roseella Calabró
N.º de Páginas: 136
PVP: 12,20€


Se depois de ler a trilogia de As Cinquenta Sombras de Grey, se interrogou sobre quem é o homem que ressona a seu lado, então, este é o livro perfeito para si. O senhor Grey é lindo, rico, sensível, misterioso e sexy. E é o protagonista do fenómeno literário do ano: a trilogia As Cinquenta Sombras de Grey.
Há só um pequenino problema: este senhor Grey não existe. E o Toni? O Toni claro que existe.
Onde o Grey conversa garbosamente com a amada, o Toni recita o alfabeto inteiro arrotando. Se o senhor Grey toca de forma magistral piano, o Toni fica escarrapachado no sofá. O Toni, em suma, é o nosso companheiro-marido-amante, com quem nos encontramos à frente no exacto momento em que paramos de sonhar acordadas com o fatal Grey literário. Menos fascinante, mas muito mais divertido e com pelo menos cinquenta razões narradas neste livro hilariante.

O Toni esconde-se dentro de T-shirts decoradas a gordura, e em vez da leitura refinada prefere o último número do jornal A Bola. Bem, há qualquer coisa que falta ao senhor Grey: ser amado por provocar um sorriso. Se depois de ler de um só fôlego a trilogia de E. L. James se perguntar quem é o exemplar de homem que ressona alto ao seu lado, então, este é o livro certo para descobrir. E o mais importante, para rir. Porque, afinal, o riso é a coisa mais erótica que existe.

A minha opinião: 


Se bem que de uma forma exagerada este livro é uma crítica mordaz ao Grey, das Cinquenta Sombras. O homem normal assemelha-se mais a um Toni de que a um Christian Grey que só poderia ser personagem de um livro erótico. Nada nele é real... enquanto que no Toni tudo é autêntico. Apesar da escritora ser italiana, podia muito bem ser portuguesa, de tal forma caracterizou o seu Toni que podia muito bem ser o "nosso" Zé ou Manel.

De facto um Grey com aquelas características todas, só existe mesmo na ficção e ainda bem que assim é. Quem quereria um homem controlador e ciumento como ele? Tudo bem que é bom na cama e bla bla bla, mas isso tudo até cansa. Agora o Toni é o homem do quotidiano, um homem normalíssimo, cuja fantasia de um homem ideal não passa disso mesmo, uma fantasia. Até se pode assemelhar ao Grey no início de um relacionamento, qual dos homens que conhecemos não se pareciam com ele: gentil, que nos oferece tudo e mais alguma coisa sem que seja Natal ou aniversário, mas depois de um tempo juntos tudo isso se vai...

Um livro hilariante, que anima uma tarde de verão, indicado sobretudo para quem leu a trilogia e não achou assim tanta piada.


Excertos:
"O senhor Grey é lindíssimo. Olhos: cinzentos como céu antes de uma tempestade hormonal. Mãos: grandes como o amigo solitário que se situa abaixo da cintura. Cabelos: que dão para fazer um ninho.
E o Toni?
Olhos: dois. Mãos: também. Cabelos: heróicos. Podem ser admirados perto do Monumento aos Caídos erigidos em sua homenagem." 
"O senhor Grey é o mago das poucas-vergonhas debaixo dos lençóis. O Toni também. A chatice é quando abana os ditos lençóis a fim de dispensar gases."

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