quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Rapariga de Papel - Guillaume Musso [Opinião]

Título: A Rapariga de Papel
Autor: Guillaume Musso
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 356
Editor: Bertrand Editora
PVP: 16.60€

Sinopse:
Há apenas alguns meses, Tom Boyd era um escritor famoso em Los Angeles, apaixonado por uma célebre pianista. Mas na sequência de uma separação demasiado pública, fechou-se em casa, sofrendo de bloqueio artístico e tendo como única companhia o álcool e as drogas. Certa noite, uma desconhecida aparece em sua casa, uma mulher linda e completamente nua. Diz ser Billie, uma personagem dos romances dele, que veio parar ao mundo real devido a um erro de impressão do seu livro mais recente.
A história é uma loucura, mas Tom acaba por acreditar que aquela deve ser de facto a verdadeira Billie. E ela quer fazer um acordo com ele: se ele escrever o seu próximo romance, ela poderá regressar ao mundo da ficção. Em troca, ele ajuda-a a reconquistar a sua amada Aurore. O que tem ele a perder?

A minha opinião:
Guillaume Musso é famoso por criar ambientes singulares nos seus livros. Muito ligado ao surrealismo, Musso leva-nos desta vez ao mundo da criação dos livros.

Tom é um escrito de sucesso que por causa de uma desilusão amorosa acaba por ter uma bloqueio artístico que o impede de terminar o terceiro livro de uma trilogia que estava a escrever.

A pianista Aurore, uma mulher bastante importante na sua vida, abandona-o, deixando Tom completamente de rastos. Tom passa, assim de uma grande criador de livros a um homem completamente só, abandonando-se às drogas e álcool que o afundam cada vez mais.

Para piorar as coisas o seu grande amigo a agente Milo comunica-lhe que perderam tudo na bolsa e que estão na iminência de ficar sem teto, sem nada. Mas nem esse grande motivo para Tom escrever faz com que siga com a continuação da história.

É num desses maus dias que Tom conhece Billie, uma mulher lindissima que lhe aparece em casa, completamente nua, insistindo, também ela, para que ele termine a trilogia. Disso vai depender a sua própria vida.

Apesar de crédulo, Tom acaba por acreditar na história que Billie lhe conta. Dizendo-se uma das personagens do seu livro, a jovem faz-lhe a promessa de o ajudar a reconquistar Aurore, caso este termine a sua história e a faça regressar para onde realmente pertence, as páginas do seu livro.

A Rapariga de Papel remete-nos ao imaginário dos livros, ao facto das personagens tomarem vida quando nos embrenhamos demasiado na sua leitura, mas também à depressão originária de uma relação amorosa falhada, ao uso de drogas, ao bloqueio criativo, ao arriscar-se e poder perder-se tudo o que se conquistou até ao momento.

Devo confessar que toda esta fórmula deveria resultar em pleno caso o livro não se tornasse, por vezes, bastante chato, com descrições superficiais, muitas vezes completamente irreais, que mais parecia daqueles filmes onde tudo acontece, mas onde há explicação para tudo (mesmo que sem qualquer lógica).

O fim surpreende porque é nas últimas 70 páginas que se começa a revelar tudo. Penso que resultaria melhor se este desenvolvimento tivesse sido mais cedo, criando mais acção para o meio do livro.

Quero ainda dar um pequeno apontamento para a capa que está lindíssima, mostrando um pouco daquilo que o livro é.

Excerto:
"Decididamente, ignoramos com frequência os sofrimentos de que padecem as pessoas que mais amamos."




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