terça-feira, 1 de outubro de 2013

A Cidade do Medo - Pedro Garcia Rosado [Opinião]

Título: A Cidade do Medo
Autor: Pedro Garcia Rosado
Editora: Asa
Colecção: Não Matarás
N.º de Páginas: 293
PVP: 4,90€

Sinopse: 
Para a Polícia, a morte violenta de um sem-abrigo cuja identidade é quase impossível de determinar não é uma ocorrência a que se possa dedicar muito tempo. Mas a situação altera-se na manhã seguinte: aparecem mortos, da mesma maneira, mais dois sem-abrigo na Baixa de Lisboa. E, dois dias depois, são três os sem-abrigo atacados. O serial killer começa, porém, a deixar pistas – e estas apontam para um culto satânico, mas também para a maçonaria. Com o medo a instalar-se em Lisboa, onde o assassino vai multiplicando os seus actos de violência, e enquanto Joel Franco começa a descobrir as origens desta vaga de crimes, o presidente da Câmara de Lisboa e um seu discreto aliado na própria PJ percebem quem é o autor das mortes: o homem que quiseram transformar em bode expiatório quando começou a correr mal o comércio ilícito de terrenos na zona do projectado aeroporto da Ota. No qual pontificara o presidente da Câmara quando ainda era ministro do Ambiente…
E em breve vão estar frente a frente dois homens que, à sua maneira, procuram justiça: o assassino propriamente dito e Joel Franco, que tenta vingar a morte de um amigo de infância em cada homicida que persegue. É bem provável que ambos desafiem a antiquíssima norma que regula a sociedade humana: «Não matarás.»

A minha opinião: 
Quem já leu pelo menos um dos livros de cada série de Pedro Garcia Rosado constata que o autor português tem uma fórmula: juntar a polícia a um elemento do jornalismo, nas investigações em curso.

Primeiro livro da colecção de thrillers intitulado "Não Matarás", publicado em 2010 pela Asa, A Cidade do Medo tem uma boa dose de crueldade, acção, intriga, tudo o que um leitor de thrillers gosta de ver retratados.

O assassino em série intitula-se o Sanitizador de Lisboa e tem como principais alvos os sem-abrigo lisboeta, que indefesos e à margem da sociedade são um alvo fácil para este. As primeiras vítimas são atingidas por 18 facadas em várias partes do corpo o que leva a polícia, e sobretudo Joel Franco, o detective encarregado do caso, a pensar que os assassinatos podem estar ligados a um ritual satânico.

Mas depressa os alvos passam a ser prostitutas e um jovem estudante e tudo muda de figura na investigação.

Mostrando-se bastante perspicaz na descoberta de novas pistas, Joel Franco, o protagonista desta série, vai palmilhando o caminho que o poderá levar para um segredo bem mais escabroso do que aquilo que pensava inicialmente.

O assassino é quase logo desvendado pelo leitor, embora não tire o interesse da continuação da leitura do livro. Passado entre Lisboa e Brasil, em espaços temporais que distam 5 anos, cedo conseguimos perceber quem é o assassino, embora não saibamos o que o move. Por isso mesmo é que vai trocando as voltas da polícia e não deixa vestígios nem para os adversários que pretende atingir indirectamente.

Os crimes são atrozes e passam-se todos nas partes mais importantes da cidade de Lisboa, o que exaspera Guilherme Vau, o presidente da Câmara. Ele próprio deseja que esta investigação tenha um fim... mas pode não ser o fim que ele deseja.


Como nos outros livros que li, Pedro Garcia Rosado aborda temas actuais e pertinentes como o caso dos sem-abrigo, a construção do aeroporto inicialmente pensada na Ota, a importância dos media, a corrupção na política e na própria polícia...

Com capítulos curtos, o que ajuda à leitura do livro e com um protagonista um pouco diferente de Gabriel Ponte que não mantém qualquer relação com a sua família. Franco tem namorada e uma cadela e todos parecem bastante felizes no relacionamento. A vantagem de Franco é que não mantém qualquer relação com o jornalista do canal TVN, que apresenta uma rubrica sobre crimes :)


Um livro que muito além do policial é também uma grande reflexão acerca do que se vai passando no nosso país. Excelente.

Excerto:
"Limparei Lisboa de todos os infra-homens." "Sou o Sanitizador de Lisboa."
"Os mortos podem esperar por nós, mas os assassinos não."

Sem comentários: