segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Lugares Escuros - Gillian Flynn [Opinião]

Título: Lugares Escuros
Autor: Gillian Flynn
Editora: Bertrand
N.º de Páginas: 416
PVP: 17,70€

Sinopse:
«Tenho uma ruindade dentro de mim, palpável como um órgão.»
Libby tinha sete anos quando a mãe e as duas irmãs foram assassinadas no «Sacrifício a Satanás de Kinnakee, no Kansas». Enquanto a família jazia agonizante, Libby fugiu da pequena casa da quinta onde viviam e mergulhou na neve gelada de janeiro. Perdeu alguns dedos das mãos e dos pés, mas sobreviveu e ficou célebre por testemunhar contra Ben, o irmão de quinze anos, que acusou de ser o assassino.
Passados vinte cinco anos, Ben encontra-se na prisão e Libby vive com o pouco dinheiro de um fundo criado por pessoas caridosas que há muito se esqueceram dela.
O Kill Club é uma macabra sociedade secreta obcecada por crimes extraordinários. Quando localizam Libby e lhe tentam sacar os pormenores do crime (provas que esperam vir a libertar Ben), Libby engendra um plano para lucrar com a sua história trágica. Por uma determinada maquia, estabelecerá contacto com os intervenientes daquela noite e contará as suas descobertas ao clube… e talvez venha a admitir que afinal o seu testemunho não era assim tão sólido.
À medida que a busca de Libby a leva de clubes de striptease manhosos no Missouri a vilas turísticas de Oklahoma agora abandonadas, a narrativa vai voltando atrás, à noite de 2 de janeiro de 1985. Os acontecimentos desse dia são recontados através da família de Libby, incluindo Ben, um miúdo solitário cuja raiva contra o pai indolente e pela quinta a cair aos pedaços o leva a uma amizade inquietante com a rapariga acabada de chegar à vila.
Peça a peça, a verdade inimaginável começa a vir ao de cima, e Libby dá por si no ponto onde começara: a fugir de um assassino. 

A minha opinião: 
Lugares Escuros é a minha estreia com Gillian Flynn. Apesar da maior parte das críticas (na sua maioria positivas) que li de Em Parte Incerta, publicado este ano, e de ter o livro na minha estante, não havia ainda tido oportunidade de pegar nele. Até que surgiu mais esta novidade, novamente publicada pela Bertrand, para conseguir ler Gillian Flynn.

A 2 de Janeiro de 1985 a mãe e as duas irmãs de Libby Day são assassinadas ao que tudo indica sob as espécie de um ritual satânico. A filha mais nova, Libby escapa por pouco. Pressentindo o que está a acontecer em sua casa, na madrugada desse fatídico dia, Libby consegue fugir do massacre, palmilhando alguns metros de neve, o que faz com que fique sem alguns dedos das mãos e pés. Ben também escapa e logo logo é apontado como o causador de todo esse massacre.

Os Day são uma família completamente marginalizada. Patty Day, a mãe, é dona de uma quinta decrépita, cuja penhora é eminente. Runner, o pai dos seus filhos é um homem desprezível: louco, bêbado e violento. e os quatro filhos vão mostrar, cada um, defeitos que poderão ser normais da convivência (rara) que têm com o progenitor, mas também a carência de afectos, de alimentos e de um pouco de tudo.

Não consegui simpatizar com nenhum dos Day, mas isso não me fez odiar o livro. Pelo contrário. O facto de todos eles terem algo sombrio, algo a esconder e ao mesmo tempo a descobrir, despertou-me a curiosidade e a vontade de querer saber mais.

Lugares Obscuros é contado na primeira pessoa por Libby Day, na actualidade, mas contém também relatos sobre aquele dia fatídico sob a "voz" de Ben e de Patty Day. Só assim conseguimos perceber o desenrolar da história e também as angústias por que passaram naquele dia. Todos os acontecimentos que se desenrolaram vão ser pertinentes para o final da história.

Aquela noite fatídica não foi apenas má para os que morreram naquela noite. Também Liiby e Ben morreram um pouco naquela noite. Libby, de apenas 7 anos, vai ter um depoimentos preponderante para a condenação do seu irmão Ben, mesmo que na investigação surjam lacunas que poderiam levantar dúvidas quanto ao que uma menina de apenas sete anos, que mostrou não ter estado completamente presente em casa, disse. No entanto, é bom lembrar que em 1985 a investigação dos casos não era tão desenvolvida como hoje em dia...

Actualmente Libby mostra ser uma mulher sem rumo, vivendo apenas da caridade de um grupo de pessoas que lhe foi depositando dinheiro numa conta para que pudesse sobreviver, a par das vendas de um livro que escreveu a contar o massacre. Até que surge uma carta, com um pedido no mínimo estranho. A troco de uma quantia irrisória Libby aceitaria estar presente num clube estranho, o Kill Club que tinha como membros pessoas que gostam de solucionar crimes antigos, cujas investigação não terá sido satisfatória. É aqui que conhece Lyle, que a faz questionar sobre muitas das coisas que aconteceram naquela noite, levando-a a prometer encontrar-se com as pessoas que, de uma maneira ou de outra, estiveram envolvidas no desenrolar daquele dia. E é aqui que o livro se torna ainda mais interessante. 
 
De uma forma sombria, mas bastante descritiva, Gillian Flynn fez com que não conseguisse parar de ler o livro. O seu final foi surpreendente tendo-me deixado com cara de espanto com o desvendar do crime. 
O lado satânico de alguns personagens, o amor adolescente e pré-adolescente e os depoimentos das pessoas mais jovens pode levar a uma conclusão, que por vezes, nem sempre é a real. 
Mostra o que muitas vezes o planeado nem sempre sai como esperávamos...



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