terça-feira, 29 de outubro de 2013

Padeira de Aljubarrota – Mulher de Armas e Heroína de Portugal - Maria João Lopo de Carvalho

Título: “Padeira de Aljubarrota – Mulher de Armas e Heroína de Portugal”
Autor: Maria João Lopo de Carvalho
PVP: 20,90€
N.º de Páginas: 580


Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha-infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo.



A minha opinião:
Maria João Lopo de Carvalho pega na lenda de Brites de Almeida, conhecida por Padeira de Aljubarrota e constrói uma personagem daquele tempo, pobre, forte e robusta que em vários momentos da sua vida defende os que lhe estão mais próximos.

Fazendo um paralelismo de dois nomes que poderão estar ligados uma vez que Brites poderá ser um diminutivo de Beatriz, a autora traz-nos um romance vivenciado a duas vozes: Brites e D. Beatriz, filha de D. Fernando com Leonor de Lencastre. Tais vidas não podiam ser tão diferentes, mesmo partilhando do mesmo nome. Mas ambas têm uma coisa em comum: a personalidade forte e combativa e o amor por um homem.

A acção começa na infância de D. Fernando, mostrando um homem frágil, mas com vontade de conhecer os os seus outros irmãos, filhos do relacionamento do seu pai com Inês de Castro. Isso vai mostrar a importância que os irmãos Castro teriam no reino e o "medo" que Leonor de Lencastre teria deles, ao ponto de os mandar para Castela, urdindo intrigas e mentiras sobre eles.

Depois do casamento com Leonor e sempre esperado o herdeiro que possa depois reinar sobre Portugal, e é com grande regozijo que nasce Beatriz. Posta de parte logo que nasce pela mãe, Beatriz é uma menina inteligente, com uma personalidade forte, mas que não passa de um joguete nas mãos da sua mãe, que vê nela apenas um trunfo para os seus intentos futuros. Prometida em casamento a quatro pretendentes, em momentos diferentes, claro, Beatriz acaba por casar com D. Juan de Castela quando tem apenas 10 anos, tendo o seu marido 24...

Filha de um casal rude e pobre, e pais tardios (a mãe tinha 35 anos quando a teve, idade muito avançada para a época), Brites nasce com uma deformação: 6 dedos em cada mão. Com o crescimento, Brites não tem nada de mulher. Forte, braços musculados, feições masculinas e feias, é uma mulher completamente à margem. Todos com quem se cruza pensam que é belzebu.

A rica Beatriz e a rude Brites são infelizes no seu meio. Uma é prisioneira do seu destino, a outra é colocada de parte por não ter nada de belo. Mas Brites terá um papel mais relevante no destino de Portugal, já que, e apesar de não se saber se existiu ou não, pelo menos existe a lenda de que foi uma valente lutadora tendo matado castelhanos com uma pá de padeiro.

Não achei que fosse uma personagem tão brilhante assim, porque por Portugal apenas fez matar alguns castelhanos, já a guerra tinha sido vencida, mas gostei particularmente da autora ter enfatizado e idealizado uma mulher boa, com uma personalidade fantástica a contrastar com o seu aspecto físico.

A Padeira de Aljubarrota é uma homenagem a uma mulher que poderá fazer parte de uma lenda ou não. Escrito de uma forma agradável e leve, com capítulos curtos e a duas vozes para que o leitor perceba, de uma maneira simples, a época que se vivia naquela altura. Uma época de grandes jogadas estratégias com Castela, mas também com Inglaterra, que quase que colocava em risco a independência do nosso pais.


Excerto:
"Acreditai, senhor, o amor não traz bem algum ao reino de Portugal, nunca o trouxe e não há de nunca trazê-lo."
"Nenhuma batalha é fácil. Ou matamos ou somos mortos."
"Olha que estar perdida é bom, é sinal de que há caminhos. Triste é quando deixa de haver caminhos."



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