terça-feira, 19 de novembro de 2013

Em Parte Incerta - Gillian Flynn [Opinião]

Título: Em Parte Incerta
Autor: Gillian Flynn
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 520
PVP: 17,70€

Sinopse:
Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo - mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?

Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género. 
A minha opinião:
Gillian Flynn tem a mestria de nos fazer odiar completamente uma personagem no início da sua descrição e pouco tempo depois passar a compreendê-la e a entender a sua forma de agir. Se em Lugares Escuros constatei tal facto, aqui é por demais evidente.

Como adorei Lugares Escuros e depois de ter lido excelentes críticas por parte da blogosfera peguei no Em Parte Incerta com expectativas muito altas. Quem leu os dois livros achou, na sua maioria, este muito melhor. Pois bem, eu não.

Durante as 520 páginas, achei o livro por vezes maçudo, a girar em volta do mesmo, mostrando duas personagens completamente desprezíveis à sua maneira, não criando empatia com nenhuma delas. No entanto, fiquei surpreendida com o volte-face na história, quando chega a vez de Amy relatar a sua vida, tal qual como os seus olhos a veem.

Nem sei como escrever a minha opinião sem me contradizer.

Nick é um homem originário de uma localidadezinha situada na margem do Mississipi que parte para Nova Iorque com o único intuito: ser escritor. É aí que conhece Amy, a Incrível Amy dos livros infantis (qual Anita dos nossos tempos). Apaixonam-se e vivem uma vida aparentemente normal até que Nick perde o emprego na revista onde trabalha e tudo se desmorona. Com a mãe doente, Nick decide, pelos dois, que tem de voltar para a terra natal, um local onde nada se faz, e que está às moscas, mostrando a crise que também paira pelas terras do tio Sam.

Essa envolvência vai mudar os sentimentos de cada um, sobretudo de Nick e vai fazer vir ao de cima o que de pior há numa pessoa. O não aceitar como as coisas são.

Completamente mimada pelos pais, Amy é uma filha muito desejada. Pegaram em Amy como pessoa e contruiram uma personagem de livro infantil, tornando Amy num sonho de criança. Tudo isso vai fazer com que Amy seja o que realmente é. E depressa se percebe muita coisa que vai acontecendo ao longo do livro.

Dividido em três partes que se vão desenrolando lentamente, primeiro Nick, depois Amy e depois a conclusão, o final, Em Parte Incerta vai-nos mostrando que nem tudo o que parece é, fazendo-nos meditar do que é a justiça, do valor que as provas têm numa investigação e do poder de persuasão de algumas pessoas.
Em suma, gostei da ideia, gostei da forma como as coisas se foram desenrolando. Não gostei da quantidade de "palha" que podia muito bem ter sido abreviada, e não gostei nem um bocadinho das personagens (mas isso é que fez com que gostasse ainda mais do livro).


Excerto:
"A verdade é maleável; só precisamos de escolher o perito certo."



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