terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A Bibliotecária de Auschwitz - Antonio G. Iturbe [Opinião]

Título: A Bibliotecária de Auschwitz
Autor: Antonio G. Iturbe
N.º de Páginas: 384
PVP: 18,85 €

Sinopse:
Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. E uma jovem que teima em devolver a esperança. Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias».

A minha opinião:

Dita Kraus tinha 9 anos quando os alemães invadiram Praga. Nessa altura toda a sua vida mudou.

Enviada para Terezín, uma pequena localidade a 60 quilómetros de Praga, logo após a invasão dos Nazis, Dita ainda nem sequer imaginava que a sua vida ainda poderia ficar pior. Apesar da vida naquela cidade oferecida "generosamente" aos judeus por Hitler não ter praticamente nada, a jovem Dita, é mandada, aos 14 anos, para o campo de extermínio mais letal do regime nazi.

Foi aí que passou a ocupar-se da biblioteca dirigida por Freddy Hirsch, passando a estar encarregue de oito livros, disponíveis para cerca de 500 crianças.

Por muitos livros que leia sobre a Segunda Guerra Mundial e o terror porque passaram os judeus, ciganos, homossexuais, deficientes e outros excluídos, todos me impressionam pelos relatos reais do que por lá se passou. Que a guerra, qualquer ela que seja, tem coisas atrozes já todos sabemos, mas saber que houve pessoas que tentaram acabar com uma religião inteira só porque achavam que a deles era a melhor e seria a que devia prevalecer raia a loucura.

Dita conseguiu sobreviver naquele tormento graças aos livros, à ajuda que eles proporcionaram, fazendo com que dezenas de crianças passassem o tempo da melhor forma. Mesmo sabendo que a maioria delas não iria sobreviver ao campo... A jovem levou o seu trabalho tão a sério que por pouco não era apanhada, passando a ser vigiada de perto pelo doutor morte, Mengele.

O bloco 31 era assim conhecido pela sua biblioteca, sendo talvez o único lugar onde ainda se poderia sonhar por um mundo melhor.

Os relatos chocam, as condições em que viviam os judeus e não só eram desumanas, mas mostra também um outro lado que não é falado muitas vezes: o facto de muitos dos guardas nazis serem completamente contra o que estava a acontecer. No entanto, por medo da morte, muitos deles continuavam a guardar os campos, revoltados por lhes terem "vendido" uma outra coisa.

Antonio G. Iturbe conheceu Dita, entrevistou-a e daí surgiu este magnífico livro. Um livro sobre a esperança, sobre ideologia, embora também seja um relato fidedigno de tudo o que passou naquele maldito campo de concentração.

Dos melhores livros que li este ano!



Excertos:
"Assim é o olhar de Mengele, o olhar de uns olhos de vidro onde não há vida nem qualquer espécie de emoção."
"Terezín era uma cidade onde as ruas não levavam a parte nenhuma."
"Em Auschwitz, a vida humana vale menos que nada, tem tão pouco valor que já nem sequer se fuzila ninguém porque uma bola é mais valiosa do que um homem."
"Em Auschwitz o riso era ainda mais escasso do que o pão."
"A vida, qualquer vida, dura sempre muito pouco. Mas se conseguiste ser feliz pelo menos por um instante, terá valido a pena vivê-la."



http://www.youtube.com/watch?v=Wzu9dtaM0FI
http://www.youtube.com/watch?v=Ok7INOEezOo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Theresienstadt







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