segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Estranho Caso Ford - Donna Leon [Opinião]

Título: O Estranho Caso Ford
Autor: Donna Leon
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Editorial Planeta
Edição de bolso
PVP: 8,85€

Sinopse:
Quando uma das alunas da sua mulher Paola o vai visitar, com um estranho interesse sobre a possibilidade de se investigar o perdão concedido ao seu avô por um crime cometido muitos anos antes, o Commissario Brunetti dá pouca importância ao assunto.
No entanto, sente-se intrigado e atraído pela inteligência e seriedade moral da rapariga. Quando ela aparece morta, esfaqueada até se ter esvaído em sangue, Claudia Leonardo deixa de ser apenas uma aluna de Paola e passa a ser um caso de Brunetti...
Enquanto investiga a vida de Claudia, descobre que esta não tem qualquer família. O único elo familiar que possui é com uma idosa senhora austríaca, que foi amante do avô. Brunetti cada vez mais intrigado desloca-se a casa da senhora e fica estupefacto com a imensa colecção de arte existente na casa da antiga amante. Quando esta também aparece morta o caso torna-se um beco sem saída e, quanto mais investiga mais segredos mórbidos descobre: a colaboração com os Nazis e o roubo de jóias italianas durante a guerra.
 
A minha opinião: 
Pertencente à série Brunetti (n.º 11) O Estranho Caso Ford foi dos livros que mais gostei de ler de Donna Leon.
Quando uma aluna de Paola (mulher do inspector Brunetti) se acerca dela para lhe fazer uma pergunta que quer que seja confidencial, mal imagina que isto vai desencadear em mais uma investigação para o seu marido. A aluna é Claudia Leonardo e deseja saber, através de Paola, se Guido Brunetti tem conhecimento de haver possibilidade de num processo legal, em que uma pessoa morreu, se mesmo assim poderá ser considerado inocente por um crime pelo qual foi condenado e sentenciado.
Achando a pergunta muito estranha Guido entra em contacto com Claudia porque para lhe responder à questão que coloca, terá de saber um pouco mais sobre a condenação. Claudia é evasiva e não pretende que o seu passado surja à tona. Mas depressa Guido chega ao cerne da questão: o que Claudia pretende é que o seu avô seja considerado inocente em relação a pinturas e obras de arte que adquiriu durante a Segunda Guerra Mundial.
Partindo para a investigação, Brunetti descobre que o avô de Claudia era suspeito de comprar obras de arte a baixo custo, numa altura em que os judeus precisavam a todo o custo de dinheiro para fugir para países neutros, vendendo-os posteriormente a um preço bem mais elevado.
Donna Leon aborda um campo bastante comprometedor para muitas famílias de antiquários. É sabido que houve muita gente a aproveitar-se das fraquezas dos judeus para prosperar. A Guerra é relatada também do ponto de vista dos italianos, um tema pouco aprofundado nos livros que tenho lido, que apenas centra a Guerra na Alemanha esquecendo-se um poucos dos países aliados à mesma.
Mais uma vez o sogro de Brunetti é uma peça fundamental na ajuda da resolução do mistério, mostrando ser conhecedor de Veneza, mas também de muitas pessoas ligadas a altas esferas da sociedade. O sogro é uma pessoa que não se mostra muito, bastante enigmático, o que torna os romances de Donna ainda mais interessantes e cheios de mistério.
Gosto de Guido, gosto de Paola e das cenas da vida familiar, que tornam os livros de Leon bem mais reais.
Relativamente ao tema, gostei bastante embora o título seja muito esclarecedor em relação à resolução do caso. Por causa do título depressa descobri que era ali que estava a solução do assassinato, embora não soube os motivos que levaram ao mesmo.

 
 
 
 

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