quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Jogo de Ripper - Isabel Allende [Opinião]

Título: O Jogo de Ripper
Autor:
Isabel Allende
Tradução: Ângela Barroqueiro
Págs.: 400
Capa: mole com badanas
PVP: 18,80 €

Sinopse:
Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade. Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.


A minha opinião:
Sempre que sai um livro de Isabel Allende eu fico sempre com curiosidade. De todos os livros que li não houve um de que não gostasse, pelo que aliar o estilo de Allende a um policial só podia resultar num livro extremamente bom.

Confesso que a primeira parte não me entusiasmou muito. Demasiadas descrições, demasiadas personagens, o que tornou a sua leitura um pouco maçuda. Mas depois da ligação de todos os crimes, a narrativa começou a evolui e a partir daí nunca mais o larguei.

Com duas personagens chave: Indiana e Amanda, mãe e filha,que viriam a ser cruciais para a descoberta do assassino, O Jogo de Ripper é constituído ainda por um grupo de jovens, formado na internet, que se dedica a investigar as cenas de crimes, tentando, com isso, descobrir o criminoso. Um dos elementos do Ripper, grupo baseado nos crimes de Jack, o Estripador, é Amanda, bastante ajudada pelo seu avô, o participante mais velho. Este grupo de jovens, espalhados pelo mundo, mas próximos (à distância de um clique), mostra uma grande maturidade em resolver crimes, e depressa chegam a uma e única conclusão, crucial para a descoberta de um assassino em série.

Amanda é uma jovem amante de livros policiais, que certamente quando foi grande dará uma excelente polícia investigadora de crimes.

Por outro lado, Indiana, mãe muito jovem, é uma espírito livre. Sem preocupações em relação a dinheiro, trabalha numa clínica de ciências alternativas e adora o que faz. Dividida entre dois homens, um ex-rico, e outro ex-soldado com muitos traumas, Indiana é amada por muitos mais que a visitam na clínica para por ela serem curados.

Allende é uma excelente contadora de histórias e isso está bem latente nos seus livros. O problema deste é precisamente esse. Dispersa-se muito na história passada e presente das personagens, relegando para um plano bastante inferior os assassinatos e a investigação. O policial só se começa a ver a mais de metade do livro, sobretudo nas últimas 150 páginas. Aí é que o livro se tornou interessante.

Sobretudo para os fãs de Allende este é um livro a ler. Para os que gostam de policiais não desanimem pelo facto de ser bastante descritivo porque no final se torna realmente um óptimo livro. Recomendo.

Excerto:
"No momento em que Amanda, o avô e os companheiros de Ripper transformaram aquele jogo num método de investigação criminal, não imaginavam no que se estavam a meter."


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