sexta-feira, 7 de março de 2014

As Mulheres do Marquês de Pombal - María Pilar Queralt del Hierro [Opinião]

Título: As Mulheres do Marquês de Pombal
Autor: María Pilar Queral del Hierro
N.º de Páginas: 160+8
PVP: 19€
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Por detrás de um grande homem de Estado como Sebastião José de Carvalho e Melo não está uma grande mulher, mas sim várias. Umas unidas por laços de sangue, como a sua mãe Maria Teresa Luiza de Mendonça e Melo, outras por laços afetivos como as suas duas esposas. A primeira, dez anos mais velha que o jovem Sebastião, foi a viúva Teresa de Mendonça e Almada. O namoro não foi bem aceite, mas Sebastião José não hesitou, raptou a noiva e casou em segredo, escandalizando tudo e todos. Amor ou ambição por um casamento com uma mulher de uma classe superior à sua? O casamento foi curto, a mulher morreu de doença enquanto o jovem ascendia na carreira diplomática. Primeiro Londres, depois Viena. Foi aqui que conheceu a sua segunda mulher, companheira de uma vida e mãe dos seus quatro filhos, Maria Leonor Ernestina Daun. Mas Sebastião José era um homem inteligente, frio, mais dado às suas ambições políticas que às artes do coração. Há uma mulher que fica na história como a grande protetora e responsável pela sua ascensão ao poder: a rainha Maria Ana de Áustria que o colocou ao lado de D. João V e depois do filho D. José I. Mas também foram as mulheres as responsáveis pela sua queda. O seu confronto com a Marquesa de Távora, D. Leonor, o processo sangrento daquela família e o desafeto de D. Maria I por este homem levaram-no à desgraça. A autora bestseller María Pilar Queralt del Hierro traz-nos a história destas mulheres que, de uma forma ou de outra, estiveram presentes na vida do Marquês de Pombal, o estadista ilustrado que soube fazer com que Lisboa renascesse das cinzas em 1755. Viajamos pela sua escrita através do século XVIII, pelos palácios reais, pelas intrigas da corte, pelos salões onde se reuniam escritores, artistas, políticos unidos pelos ventos do Iluminismo, é aqui neste ambiente que conhecemos Teresa Margarida da Silva ou Leonor de Almeida Lorena, Marquesa de Alorna.


A minha opinião: 
Sebastião José de Carvalho e Melo foi um grande estadista, isso não gera a menor dúvida. Adorado por uns, odiado por outros, o certo é que o Marquês de Pombal foi uma grande visionário e esteve muito à frente do seu tempo, como se comprova actualmente, ao ter feito ruas largas na baixa de Lisboa, apesar de muitos terem contestado isso na altura.

Inteligente, sempre soube rodear-se de pessoas influentes para ascender onde realmente queria, e acabou por se tornar o braço direito do rei D. José I, aumentando o protagonismo aquando do terramoto de 1755.

O processo sangrento dos Távoras e a expulsão dos Jesuítas iriam pô-lo em desgraça, mas María Pilar Queralt del Hierro quis enfatizar as mulheres que estiveram por detrás deste grande homem, mas também as mulheres daquele tempo, algumas delas letradas, apaixonadas pelas letras e também pela escrita, que se dedicavam a tertúlias com grandes escritores da época como Alexandre Herculano, Bocage e Almeida Garrett entre muitos outros.

Escrito de uma forma simples e bastante resumida, este podia ser um livro incompleto no que diz respeito à vida de Marquês de Pombal assim como à relação que teve com tantas mulheres, amigas e inimigas. Mas não se dá o caso. A autora consegue, além de fazer uma breve biografia, mas de forma eficaz, de Sebastião José, consegue situar o tempo em que se vivia, os costumes, o reinado existente na altura em que o estadista nasceu e o reinado que o viria a tornar conhecido, passando pelos seus dois casamentos.

Órfão de pai desde tenra idade, e a relação de amor/ódio com a sua mãe viria a influenciar a própria vida do futuro Marquês de Pombal. Casou com uma mulher mais velha dez anos, mas que terá sido o seu único amor, mas o interesse pela subida na escala social terá sido o principal motivo do casamento. Depois de enviuvar casaria segunda vez com a mulher que lhe daria quatro filhos. E seria essa que lhe estabeleceria a relação com a Maria Ana de Áustria, rainha de Portugal e esposa de D. João V.

María Pilar Queralt del Hierro é uma das minhas autoras preferidas em romance histórico. Depois de ter lido Inês de Castro e As Mulheres de D. Manuel I fiquei ainda mais rendida aos seus livros.






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