segunda-feira, 31 de março de 2014

Linhas Invisíveis - J. Pedro Baltasar [Opinião]

Título: Linhas Invisíveis
Autor: J. Pedro Baltasar
N.º de Páginas: 620
PVP: 15€

Sinopse: 
Há uma linha que nos une a todos. Paira sobre nós, suspensa e inocente.
Observa-nos... Estuda-nos.
Se puxada por uns, pode provocar a queda de outros. Porque de uma forma ou de outra, como num tabuleiro de xadrez, todas as nossas vidas se cruzam. Todos os nossos actos.
Há uma outra linha, porém, mais ténue e dissimulada, que marca a fronteira entre o bem e o mal. Poderemos nós,... qualquer um de nós atravessá-la e, passar de pacato e inofensivo cidadão a... assassino implacável?
Que razões nos podem levar a fazê-lo?
O ódio e a vingança?
O sofrimento?
O amor?
É que... todos estamos ligados por... ... Linhas Invisíveis

A minha opinião: 
"A vingança é uma espécie de justiça selvagem..." e "Eu sou o cavalo branco. Cada jogada é uma morte!" são frases chave que o leitor vai encontrar em Linhas Invisíveis de J. Pedro Baltasar. As quase 600 páginas não poderão ser um entrave. Lê-se num ápice e fica-se a salivar por mais. Bom, muito bom.

Quando o empresário Robert Brannagh é assassinado é chamada à cena do crime uma dupla improvavél: Michael Brunett e Karen "Foxy" Brookes. Apesar de estarem quase toda a investigação às turras, a sintonia está sempre presente entre ambos, tornando-se os cúmplices perfeitos.

Dias mais tarde, são assassinados um padre de uma paróquia vizinha e a sua governanta. De destacar que o padre tem acusações de pedofilia, o que poderá ser a causa do seu assassinato. No entanto, o que é comum em ambos os assassinatos são as cartas que os dois receberam dias antes. Cartas misteriosas, acompanhadas de peças de xadrez, dando a entender que tudo poderá não passar de um jogo macabro e demente. Mas o pior está para vir. Na carta que o assassino deixou ao padre encontra-se o nome de Burnett, colocando-o também como uma das peças de xadrez.

A acção decorre entre 1979 e 2010 o que nos leva a estabelecer paralelismos entre estas duas épocas. Se em 1979 o autor nos apresenta algumas personagens num cenário de juventude, de aulas, de liceu, personagens rebeldes, mas também ingénuas, com gangues à mistura; em 2010 estamos na actualidade onde um assassino continua a fazer o seu jogo e a matar pessoas.

Desde a primeira à última página vamos acompanhar o raciocínio de um jogador de xadrez que leva esta tarefa muito a sério e quase ao extremo.

Apesar de J. Pedro Baltasar já ter publicado Jaguar, pela Porto Editora não conhecia a sua escrita. Fiquei fã. Pena é que a actual editora não aposte na publicidade e na divulgação deste fantástico livro sob pena de passar ao lado de muitos amantes de policiais. Eu vou tentar fazer a minha parte e aconselhá-lo aos que gostam de livros bem escritos, com bastante ritmo, importante para o género, e com uma excelente história que nos envolve de tal maneira que as 600 páginas passam tão depressa que logo que o largamos ficamos com uma sensação de vazio.

Muito bom!


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