segunda-feira, 3 de março de 2014

O Despertar do Mundo - Rhidian Brook [Opinião]

Título: O Despertar do Mundo
Autor: Rhidian Brook
Editora: Asa
N.º de Páginas: 328
PVP: 17,90€


Sinopse:
Em 1945, enquanto o mundo celebra a vitória sobre o exército nazi, a Alemanha derrotada é dividida. De um lado, a União Soviética. Do outro, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França. A Guerra Fria está prestes a começar.
Em Hamburgo, grupos de crianças esfomeadas vasculham os destroços em busca de alimentos, famílias desalojadas lutam por abrigos imundos. É nesta cidade arruinada que o coronel Lewis Morgan é encarregado de repor a paz. O governo inglês requisita uma casa para o acolher a ele e à família. Aos proprietários da mansão resta a indigência. É então que o coronel propõe uma solução inédita: a partilha do espaço. Mas ao contrário do que coronel espera, este pacto vai ser explosivo. A sua mulher, Rachel, vive fechada em si própria. O filho de ambos, Edmund, debate-se com uma solidão extrema. A alemã Freda é a adolescente rebelde, filha de Herr Lubert, um homem de elite inconformado com a submissão que lhe é imposta. Entre segredos e traições, a vida na casa é uma bomba-relógio que uma paixão proibida ameaça ativar..
Baseado no extraordinário ato de bondade do avô do autor, O Despertar do Mundo pinta um retrato único da guerra vista do lado dos perdedores.


A minha opinião: 
O Despertar do Mundo relata a história, tão raras vezes abordada do pós-Segunda Guerra Mundial. Do estado em que ficou a Alemanha, da ocupação deste país por parte dos ingleses, e da forma como estas duas populações se viam entre si.

Baseado em factos reais, da própria família de Rhidian Brook, este livro prendeu-me desde o início. Rico nas personagens, mais rico ainda na história de crianças sem pais, votadas ao abandono, desnutridas, vagando em busca de cigarros que lhes podem almejar a refeição diária.

Mas também mostra o dia a dia de famílias inglesas que são quase que forçadas partir de Inglaterra para se juntarem aos maridos e pais, que ali trabalham como militares, ocupando as casas outrora pertencentes a alemães.

Lewis é um desses homens. Coronel inglês, vê-se forçado a permanecer na Alemanha do pós-guerra para manter a ordem e levar aquele país a levantar-se novamente. Mas Lewis é uma pessoa diferente. Não vê todos os alemães como o inimigo, mas sim como vítimas de um governo fascista onde muitos deles nunca se identificaram. E, como tal, quando lhe destinam um casa senhorial para viver, Lewis não tem coragem para expulsar o seus verdadeiros donos de casa, um pai e uma filha adolescente. É aqui que se estabelece uma relação, não diria de amizade, mas de respeito, onde ingleses e alemães podem conviver sem que haja conflito.

Ambas as famílias são vítimas de uma guerra cruel, a ambas lhes foi retirada uma parte de si, uma parte da família. A Lewis o seu filho mais velho, a Lubert, a sua esposa que se encontra desaparecida...

Este é uma excelente base para se desenrolar uma trama, com relações escondidas, com conspirações para acabar com a ocupação inglesa e também para dar a conhecer alguns dos órfãos de guerra.

Muito bom.

Excerto: 
"Deem graças por não nos terem calhado os russos. Os ingleses podem ser incultos, mas não são cruéis."


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