segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Aposta da Rainha - Barbara Kyle [Opinião]

Título: A Aposta da Rainha
Autor: Barbara Kyle
N.º de Páginas: 432
PVP: 19,95 €

O esperado quarto livro da aclamada série Thornleigh, vai voltar a transportar o leitor à intrigante Inglaterra dos Tudor, durante o reinado de Maria I, a rainha sanguinária, revelando mais uma vez informações históricas sobre este conturbado período da história europeia.

Tendo como pano de fundo uma corte exuberante e vibrante com personagens inesquecíveis e figuras históricas, é uma história de coragem, ambição, paixão e o preço muito alto da lealdade.
Barbara Kyle consegue de forma magistral mostrarnos a verdadeira História da Inglaterra de meados do século XVI, através das vidas de duas famílias, a Thornleigh, que apoia a princesa Isabel, e a Greenville, apoiante da rainha Maria.
Depois de A Aia da Rainha, A Filha do Rei e A Rainha Cativa, a autora mergulha o leitor na Londres quinhentista, uma época dominada por reformas religiosas, uniões por conveniência e jogos de bastidores. É também sobre este pano de fundo que se desenrola a história de A Aposta da Rainha. Rico em detalhes, este quarto volume da série não poupa o leitor a imagens impressionantes, de uma época pródiga em episódios e personagens fascinantes.


A minha opinião:
Barbara Kyle é uma excelente contadora de estórias e de História. Já o tinha constatado no primeiro livro da série Thornleigh, A Aia da Rainha, e comprovei-o agora com o último volume da série.

Se no primeiro livro (e só posso falar dele porque foi o único que li da série antes deste), Kyle centra a sua história na personagem de Honor e no tempo de Catarina de Aragão, neste último volume traz à cena novamente Honor, mas a personagem principal é a sua filha Isabel. O tempo também é outro e bastante conturbado. Depois da morte da meia-irmã Maria (a rainha sanguinária), Isabel Tudor, 25 anos, herda o trono inglês. Encontra-o à beira da ruína e com a população bastante dividida entre o catolicismo e o protestantismo. Protestante convicta, Isabel Tudor transforma-se num alvo a abater por parte da sua prima, Maria I, rainha da Escócia, católica.

É neste cenário que Isabel Valverde, filha de Honor, se vai deparar quando regressa a Inglaterra vinda do Novo Mundo, o Peru. Depois de 5 anos fora e temendo pela vida da mãe, Isabel regressa com o filho e o marido espanhol. Desde logo causa estranheza o facto de Isabel trazer consigo um crucifixo. E somando o facto do seu marido ser espanhol e, portanto, católico, faz com que Isabel não seja vista com bons olhos por parte da populaça.

No entanto, o que Isabel quer é ter a certeza que a sua mãe se encontra bem e tira-la do conflito existente entre das duas primas. Porém, fiel à rainha, Honor não pretende sair do país. Mas Isabel também não pretende deixar a sua mãe naquele conflito, acabando por se aliar, também ela, à rainha de Inglaterra.

Ao mesmo tempo, Carlos, o seu marido, com o intuito de alcançar um cargo maior no Peru, alia-se aos franceses e a favor da Escócia.

Interesses opostos, mas amando-se sempre, Isabel e Carlos vão sofrer muitos reveses, ter muitas aventuras, o que torna o livro ainda mais interessante. Num instante estamos no campo de batalha inglês, como depressa passamos para a outra facção e estamos com os franceses, o que faz com que torcemos pelos dois lados da batalha, em benefício dos dois, embora que em alturas diferentes.

A personagem de Frances, cunhada de Isabel e Adam o seu irmão, são também importantes para a narrativa enriquecendo ainda mais a história. O facto de Frances ser católica e ser oriunda de uma família inimiga dos Thornleigh cria desconfianças no seio da família, colocando a maior parte das vezes Frances como uma inimiga.

Este último volume da saga fez-me querer ler os livros intermédios (2 e 3) para descobrir como evoluíram as personagens principais ao longo dos anos, assim também como a História que vai desde Catarina de Aragão a Isabel I, filha ilegítima de Ana Bolena.

A quem gosta de História, contada de uma forma leve, recomendo.


Excerto:
"Protestantes. Católicos. Nunca me habituarei a que pessoas se matem umas às outras por causa da melhor maneira de alcançar outro destino imaginado, chamado céu."




Opinião aqui

2 comentários:

Mira, a escriba disse...

Gostei imenso de ler a tua opinião. Só fiquei com uma dúvida:
a narrativa centra-se mais nas personagens fictícias ou nas reais?

Ah já agora, não me leves a mal, mas encontrei um erro no texto: "Protestante convicta, Isabel de Aragão transforma-se num alvo a abater (...)". Não é Isabel de Aragão, mas sim Tudor ;)

Beijinhos e continuação de boas leituras**

Maria Manuel Magalhaes disse...

Centra-se um pouco mais nas personagens fictícias. No fundo a história anda à volta das personagens fictícias, mas a autora nunca deixa de mencionar os factos reais lá pelo meio. É como se as personagens estivesse a viver naquela época e elas próprias fossem protagnonistas das "guerras" entre as duas rainhas.

Obrigada pelo reparo do erro. Não levo nada a mal e até agradeço que o façam. Entretanto já emendei ;)

Beijinhos e boas leituras,
MM