quinta-feira, 4 de junho de 2015

O luto de Elias Gro - João Tordo [Opinião]

Título: O luto de Elias Gro
Autor: João Tordo
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 328
Editor: Companhia das Letras
PVP: 15,90€

Sinopse:
Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.
A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.
O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza - e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.
O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.

A minha opinião:
Um homem em busca da solidão, da introspeção, viaja para uma ilha algures no atlântico. Porém, vai encontrar personagens inusitadas que lhe vão preencher os dias levando-o a descobrir a história daquela ilha.



"Um homem é refém dos seus sonhos até os pronunciar em voz alta."

O luto de Elias Gro é o oitavo romance de João Tordo e completamente diferente dos que li anteriormente.

O narrador é um homem completamente perdido no amor, que se entrega ao álcool para esquecer o passado. Mas depressa encontra uma rapariguinha de 11 anos, Cecília, que o faz conviver com as gentes da ilha, e que tem a particularidade de saber todos os ossos do corpo humano. Assim, estabelece relações com Elias Gro, pai de Cecília e pastor, um homem com um passado sombrio, com Alma, com o fantasma do poeta Lars Drosler, e com Norbert, um velho que tem o costume de passear de noite.



O novo habitante da ilha não tem nome, nem passado, passa a habitar o velho farol abandonado e tem por companhia o livro de Jorge Luís Borges a História Universal da Infâmia, assim como de Cecília que se vai instalando aos poucos na sua vida.


"O amor é mais digno de piedade do que de inveja."

A espiritualidade, a doença, a perda, a solidão, mostram a viragem no registo de João Tordo que, julgo, vão agarrar ainda mais leitores. Muito bom!

"Nós, os humanos, somos uma carrada de coisas malcheirosas ocultas debaixo de outras que precisam de muito cuidado. Se não tivermos esse cuidado, o que está lá em baixo vem ao de cima."

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