quarta-feira, 29 de julho de 2015

Que Esperam os Macacos - Yasmina Khadra [Opinião]

Título: Que Esperam os Macacos
Autor:
Yasmina Khadra
N.º de Páginas: 272
PVP: 14,00
Colecção: Montanha Mágica

Sinopse:
Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.

Que Esperam os Macacos é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

A minha opinião:
A história de Que Esperam os Macacos começa quando uma jovem estudante é encontrada, sem vida, numa floresta perto de Argel. 

"... a Bela Adormecida rompeu com os contos. Deixou de acreditar no príncipe encantado. Nenhum beijo a ressuscitará. Está ali, é tudo."


Junto ao corpo não se encontra qualquer identificação pelo que se torna difícil saber quem é, mas isso não é impeditivo para a inspector Nora Bilal, encarregada da investigação, começar o caso. 
No entanto, aquilo que poderá ser um caso banal torna-se cada vez mais complicado e vão-se colocando entraves e mais entraves na investigação, incluindo o chefe da polícia que quer afastar Nora da própria investigação. E tudo, ou quase tudo é passível de ser comprado... 

"Num país cujos decisores se esfalfam a construir vivendas para os pimpolhos onde deveriam erguer-lhes uma nação, não é raro deparar com talentos experientes que labutam em restaurantezecos para tentar que o dinheiro chegue ao fim do mês..."

Que Esperam os Macacos é um policial mas não é um policial qualquer. Yasmina Khadra serve-se da história do policial para retratar uma Argélia tão próxima de nós, mas tão corrupta, cujo valor pela vida humana é ínfimo ou praticamente nulo, fazendo-nos questionar os valores actuais.

"A solidão é um quarto frio. Dele só retiramos amargura."
 
O final não surpreende já que vamos adivinhando ao longo do livro quem terá sido o assassino, mas também não é isso que o autor pretende, já que a investigação acaba por ser relegada para segundo plano, dado que o mais relevante seja mesmo o poder dos mais ricos, sobre a impotência dos mais indefesos. E quando alguém se atravessa pelo caminho, seja quem seja... terá de ser eliminado...

"Na Argélia, uma pessoa não precisa de errar para que o céu lhe caia na cabeça. É frequente o destino dependente apenas de um salto de humor, e a vida de um simples telefonema." 

Muito bom. 



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