domingo, 1 de janeiro de 2017

A outra metade de mim - Affinity Konar [Opinião]

Título: A outra metade de mim
Autor:
Affinity Konar
Género: Ficção literária / Holocausto
Tradução: Patrícia Xavier
N.º de páginas: 336
PVP: € 17,70

Sinopse:
Pearl tem a seu cargo o triste, o bom, o passado. Stasha fica com o divertido, o futuro, o mau. Estamos em 1944. As meninas foram enviadas para Auschwitz com a mãe e o avô. Pearl e Stasha Zamorski, gémeas judias da Polónia, refugiam-se no seu próprio mundo, reconfortando-se com a linguagem secreta que partilham e as brincadeiras da infância, no meio da loucura da Segunda Guerra Mundial. Mas este refúgio é ameaçado quando caem sobre a asa de Josef Mengele, o anjo da morte de Auschwitz. Na qualidade de cobaias do célebre Zoo de Mengele, as meninas vivem privilégios e horrores desconhecidos dos demais. Convicta de que uma participação voluntária irá salvar a sua família, Stasha deixa que Mengele faça dela sua mascote. Horrorizada com isto, Pearl dedica-se ainda mais ao bem-estar da irmã naquele clima de brutalidade e horror. Quando Pearl desaparece durante um concerto organizado por Mengele no inverno de 1944, Stasha sofre, mas não deixa de acreditar que a sua gémea continua viva. Depois da libertação de Auschwitz, ela e o seu companheiro Feliks, um rapaz que jurou vongar o seu próprio gémeo, atravessam toda a devastação da Polónia em busca do médico nazi, que Stasha acredita ter a capacidade de trazer Pearl de volta. Nesta viagem marcada pelo perigo e pela esperança, vão descobrindo o que aconteceu ao mundo, ao mesmo tempo que tentam imaginar um qualquer futuro possível.

A minha opinião: 
"Desde que tínhamos entrado no camião que eu evitava olhar para a nossa mãe. Olhava, antes, para as papoilas que ela ia desenhando, concentrava-me no frágil esplendor dos seus rostos."

Esperar demasiado por um livro pode, após lê-lo, trazer um pouco de desilusão.

Depois de ter lido imensos livros sobre o Holocausto e depois de lida a sinopse, e de ter constatado que «A outra metade de mim» ia retratar as atrocidades feitas por Mengele, pensei que a obra iria especificar muito mais sobre o "trabalho" do médico no campo de concentração de Auschwitz.

Mas não. Affinity Konar pega na história, fictícia das gémeas Pearl e Stasha, e através da narração delas, vamos percebendo o que se vai passando com as crianças que são os "protegidos" do médico.

Na fila para chegar aos campos de trabalho ou diretamente para a câmara de gás, Mengele ou algum capacho mandado por ele, escolhiam as crianças que seriam as suas cobaias nas mais variadas experiências. Gémeos, anões, ciganos, eram alguns dos preferidos dos médicos para entrar no seu Zoo.

Com uma escrita divinal, quase poética, Affinity Komar relata o dia a dia da vida das gémeas protagonistas, o que faziam para se entreterem nos tempos em que Mengele não estava com elas, mas, sobretudo, o que ele lhes foi fazendo ao longo da sua "estada" até quando a guerra terminou. As gémeas idênticas fisicamente, mas completamente diferentes psicologicamente (Pearl realista e Stasha, sonhadora) relatam ainda do que foi fazendo com os outros habitantes, crianças, que com elas conviviam, enquanto se tentam proteger mutuamente.


Mas foi no relato de ambas que me aborreci várias vezes. De maravilhoso nalgumas partes, passava a ser entediante noutras. Não me consegui ligar a nenhuma delas.

Para quem parte para a leitura deste livro sem grandes expetativas «A outra metade de mim» vai ser uma feliz surpresa. Com uma escrita atrativa e com uma história que prende o leitor menos conhecedor das experências do médico da morte. No meu caso esperava um pouco mais.

Excertos:
"Esse mundo, fértil em espanto, também acabou. É o que acontece à maioria dos mundos."
"Mischling" - Quando ouvirem essa palavra, dizia-nos o Zayde, pensem na diversidade de todas as coisas vivas"
"Auschwitz fora construído para encarcerar Judeus. Birkenau fora construído para os matar com maior eficiência. Poucos quilómetros se estendiam entre os seus males coordenados. Eu não sabia a que se destinava aquele jardim zoológico - podia apenas jurar que eu e Pearl nunca seríamos postos numa jaula:"
"- Reza por melhor. E se as tuas preces não forem atendidas, come as tuas preces. Só as orações é que conseguem manter um corpo cheio."
"Os laboratórios não eram lugares onde entrávamos, mas lugares para onde éramos levados todas as terças, quintas e sábados, e onde ficávamos 6 horas de cada vez. Estavam repletos não só de médicos e enfermeiras, mas ainda de fotógrafos e técnicos de radiologia e artistas com pincéis, todos eles determinados em captar as nossas particularidades para a investigação médica do Tio."
"Já se sabe como é. Fica-se pior antes de se ficar ainda pior e depois nunca se tem melhoras, mas quem tem tempo para pensar nisso, quando se anda a lutar por uma tigela cheia de urtigas."





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