domingo, 12 de fevereiro de 2017

Vaticanum - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: Vaticanum
Autor:  José Rodrigues dos Santos
Editor: Gradiva
N.º de Páginas: 608

Sinopse:
Um comando do estado islâmico entra clandestinamente no Vaticano e o Papa desaparece. Horas depois surge na internet um vídeo em que os terroristas mostram o Sumo Pontífice em cativeiro e fazem um anúncio chocante: O PAPA SERÁ DECAPITADO EM DIRECTO À MEIA-NOITE. O relógio começa a contar. O rapto do Papa desencadeia o caos. Milhões de pessoas saem à ruas, os atentados sucedem-se, mutiplicam-se os confrontos entre cristãos e muçulmanos, vários países preparam-se para a guerra.

Apanhado no epicentro da crise quando trabalha nas catacumbas da Basílica de São Pedro, Tomás Noronha vê-se envolvido na investigação para descobrir o paradeiro do Papa e cruza-se com um nome enigmático: OMISSIS. A pista irá conduzi-lo ao segredo mais sombrio da Santa Fé.

Usando informação genuína para nos revelar o que se esconde nos bastidores do Vaticano, o escritor preferido dos portugueses está de regresso com o thriller do ano. Com Vaticanum José Rodrigues dos Santos mostra mais uma vez por que razão é considerado mestre do mistério real.

A minha opinião: 
Com Vaticanum, José Rodrigues dos Santos traz de volta Tomás Noronha, desaparecido desde A Chave de Salomão. 
Se inicialmente gostava bastante do criptoanalista português, agora já me começa a enfastiar. Para um homem tão inteligente, Tomás mostra ser um pouco básico, sobretudo no que toca às suas relações amorosas. As cenas, ainda que poucas, entre a sua namorada Maria Flor, são de bradar aos céus. Tão elementares e com um erotismo barato que me desagradou deveras. Felizmente foram poucas, senão saltaria páginas para poder entrar na intriga verdadeiramente dita. 

Neste livro Tomás encontra-se no Vaticano para trabalhar no sector arqueológico da Basílica de São Pedro. O seu trabalho está previsto durar uma semana e resume-se a catalogar todas as câmaras mortuárias atrás do troféu de Pedro. Mas é surpreendido com um pedido de ajuda do Papa. 
Sem conseguir recusar, Tomás vê-se enredado numa teia difícil de desligar. 

É a partir desta altura que o livro começa a ter interesse. Não pelo descobrir o que se passará com o Papa, mas o que está por detrás da investigação que nos leva a saber o que se passa no Vaticano e no Banco do Vaticano. 
Tomás vai descobrindo os "podres" do Vaticano, a maior parte já conhecidos do público em geral. Mesmo assim fiquei surpreendida pelo facto de José Rodrigues dos Santos colocar os nomes reais, na gíria "chamar os bois pelos nomes", o que torna mesmo a investigação mais genuína. 

No entanto, apesar de tudo isto, Vaticanum deixou-me desiludida. Gosto muito de Tomás Noronha, mas confesso que o criptoanalista me começa a aborrecer um pouco. Talvez por já estar a ficar um pouco enjoada das investigações dele, talvez pela temática não me ter apaixonado tanto por já ter lido tantos livros em relação ao Vaticano, ou então por estar menos bem escrito do que os anteriores. Então se comparado ao livro As Flores de Lótus ou em relação à série de Calouste Gulbenkien, este é bastante inferior. 

No entanto, não deixei de dar 4 estrelas no goodreads porque, em certas partes, o livro me deu algum prazer. 
No entanto, acho que José Rodrigues dos Santos devia dar um ar mais "adulto" a Tomás e deixar de parte a sua vida amorosa, porque definitivamente, começa a enjoar. 



 

2 comentários:

Isabel Maia disse...

Os primeiros 2 livros da série "Tomás Noronha", a personagem ainda escapava. Daí para a frente, o José Rodrigues dos Santos começa a dar-lhe uns laivos de Don Juan da linha do Estoril que já mete raiva. Já perdeu a credibilidade toda!
Quanto aos temas que ele vai escolhendo, quer-me parecer que o autor vai ao sabor do que está "a bombar". Este livro em particular foi mais um escritor a "mugir a vaca" dos livros sobre o Vaticano.
Talvez pegue neste livro quando passar a febre dos livros vaticanistas.

Boas leituras :)

São disse...

Eu acho que este livro perdeu um bocadinho por ter saído a meio da trilogia de Lótus. E isso deixa-me com alguns remorsos porque fui uma grande defensora do regresso do Tomás em Outubro passado , para não se ficar muito tempo sem um livro com a personagem. Só que os leitores do José Rodrigues dos Santos já estão desejosos de saber o final daquelas personagens e custa-lhes um pouco este "corte". Tu nem deves sentir isso tanto porque ainda não leste O Pavilhão Púrpura. Essa curiosidade de saber o final aumenta bastante depois de lermos esse referido segundo volume da trilogia.

Concordo praticamente com tudo o que disseste, só que a mim não me irritam assim tanto as cenas pseudo-eróticas do Tomás, porque não ligo muito... O que me interessa realmente é o que o autor tem para revelar... O Tomás é um fio condutor, nada mais que isso... Mas se pensarmos bem, e com respeito a outros leitores que gostam de ler também pelo Tomás, ele podia ter feito de forma diferente. Podia porque sabe fazê-lo. Nem sempre foi assim. Eu lembro-me sempre da descrição, em A Fórmula de Deus, do momento em que o Tomás e Ariana se envolvem pela primeira vez, nas paisagens do Tibete. Uma cena lindíssima. A simbiose com a natureza, que nos faz pensar em todo o contexto da mensagem dessa obra: só um ser inteligente podia ter criado o mundo assim tão perfeito. Se tiveres o livro à mão, eu infelizmente não tenho, tenta reler essa cena. É fantástica. Portanto, ele sabe escrever cenas eróticas sem cair neste ridículo das cenas deste "Vaticanum".

Mas também me parece que actualmente está muito na moda este tipo de cenas...

Curiosamente, eu sou uma bocado ao contrário, apesar de concordar com isso tudo isso. Eu não simpatizava com o Tomás e acabei por sentir carinho pela personagem. No fundo, apesar de inteligente, é um pobre-diabo ingénuo. Acredita , confia nas pessoas... comecei a sentir essa compaixão por ele mais n' O Último Segredo quando ele confio cegamente na Valentina, arriscou a vida por ela e, na verdade, ela era o próprio inimigo. Simpatizo com o Tomás... É bom tipo :D

Em relação a todos estes escândalos do Vaticano, eu confesso que fiquei em choque. Sabia que existia para lá corrupção com fartura! Mas não me passava pela cabeça que houvesse mesmo dados tão concretos. Fui ao Google, pesquisei aquelas coisas e realmente aconteceram. Houve provas... Não sabia. Daí, por um lado não me ter chocado tanto ele ter usado nomes reais... Pois se as coisas aconteceram, se há dados , registos de que efetivamente aconteceram... Mas por outro lado, continuo a achar que foi um acto de coragem, pois cá me parece que, ainda que esses dados sejam públicos, eles não o são para o cidadão comum. Tanto que eu confesso que não sabia. Sabia que era óbvio que havia corrupção, mas que havia dados tão concretos não sabia. Acredito que o mesmo se passasse com a maioria das pessoas que leram. E é aí que este autor marca a diferença... Através de um história banal, das aventuras de um criptanalista meio apalhaçado, vai contando às pessoas coisas que elas não sabem, pelo menos não de forma tão concreta. Coisas que elas não iriam pesquisar , mesmo que ouvissem rumores...

Também dei 4 estrelas. Acho que está ali um bom trabalho. A escrita realmente está um bocado pobre. Curiosamente, o registo destas aventuras do Tomás nunca foi tão bom como o dos romances históricos do mesmo autor. Não faço a mínima ideia porquê . nota-se que são escritos pela mesma pessoa. Não é uma diferença assim tão abissal como já tenho ouvido que é na opinião de algumas pessoas. Mas há diferenças substanciais. Ainda assim , está pior do que nos primeiros livros da série do Tomás... Não sei se tem a ver com a pressa.. Porque notei isso n' A Mão do Diabo, depois achei que melhorou n' A Chave de Salomão (embora, para mim fosse o tema menos interessante) e agora voltei a achar que piorou...

Enfim... Venha o próximo :)... Estarei à espera para ler... Há uma cumplicidade entre mim e a escrita do autor, mesmo quando está pior.... Ainda que prefira quando está melhor :D