sábado, 25 de março de 2017

Anna e o Homem Andorinha - Gavriel Savit [Opinião]

Título: Anna e o Homem Andorinha
Autor: Gavriel Savit
Editor: Suma de Letras
Páginas: 224

Sinopse:
Uma história sobre a perda da inocência perante a tragédia.
Ao longo da viagem, Anna e o Homem-Andorinha escaparão a bombas e a soldados e também farão amigos.
Mas, num mundo louco, tudo pode ser um perigo.
Também o Homem-Andorinha. 
«Este romance profundamente comovente une, de forma magistral, a doçura infantil com o fundo cruel e inumano da Segunda Guerra Mundial.»  Publishers Weekly.

A minha opinião: 
Gavriel Savit pega no tema do Holocausto e suaviza-o com Anna e o Homem Andorinha. Um livro que chega a ser poético de tão bonito que é.

Orfã de mãe e pai (este último, professor universitário na Polónia desaparece no dia em que perseguem os intelectuais) Anna encontra refúgio nos braços de um homem misterioso, que raramente sorri, mas que a adopta e protege como ela necessita.

Juntos passam ao lado da verdadeira guerra, (será que passam?), embora Anna vivencie algumas atrocidades e passe bastante fome. No entanto, o homem, que nunca saberemos o nome, arranja sempre forma de a proteger e de lhe dar um porto de abrigo.

"Os nomes são formas de as pessoas nos encontrarem - disse o homem alto. - Se tens um nome, as pessoas sabem por quem perguntar. E se as pessoas souberem por quem perguntar conseguem descobrir onde estiveste, e ficam a um passo mais perto de te encontrar. Nós não queremos ser encontrados."

Caminham pela Polónia, muitas vezes junto à fronteira, sempre a tentar fugir aos nazis e aos russos, mas muito perto deles. Anna designa-os como lobos e ursos numa narrativa amorosa e que ameniza, de certa forma, a realidade em que se encontram.
Se por um lado temos uma criança, que vê a guerra de uma forma inocente e não tão grave, temos, por outro, o seu parceiro de caminhada que a vê de uma forma dura e que faz tudo, mesmo tudo, para que a pequenita não sofra nem se aperceba da realidade que a rodeia.

"Ser encontrado é desaparecer para sempre."

Um hino à amizade em tempo de guerra.

"Porque um amigo não é alguém a quem dás as coisas de que precisas quando o mundo está em guerra. Um amigo é alguém a quem dás as coisas de que necessitas quando o mundo está em paz. E, ao contrário de «tu», querida, «amigo» não é «eu» em Estrada."

Recomendo.



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