sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Os Falsários - Bradford Morrow [Opinião]

Título: Os Falsários
Autor: Bradford Morrow
Editor: Clube do Autor
Páginas: 264

Sinopse:
Na tradição dos policiais de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, um romance misterioso e profundo sobre o fascínio do colecionismo e o lado sombrio do comércio de livros raros.

O que acontece quando mentimos tão bem que perdemos a noção do que é real? Numa prosa magnificamente cuidada, Bradford Morrow traça uma linha débil entre o devaneio e a intuição, a memória e a ficção autoilusória, entre o amor verdadeiro e o falso.

Uma comunidade bibliófila é abalada com a notícia de que Adam, um colecionador de livros raros, foi atacado e as suas mãos decepadas. Sem suspeitos, a polícia não consegue avançar no caso, e a irmã procura desesperadamente uma pista.

Ao longo das páginas repletas de mistério e simbologias, escritores famosos e citações brilhantes, Will, cunhado e colega de profissão de Adam Diehl, tenta obter uma resposta e, ao mesmo tempo, escapar às ameaças do misterioso «Henry James». Consciente do simbolismo do caso, ele sabe que um homem sem mãos se vê privado do instrumento mais precioso quando se trata de imitar a caligrafia de William Faulkner, James Joyce, Conan Doyle e outros que tais. Na verdade, Will, ele próprio genial falsário, talvez saiba demais.

A minha opinião: 
Will dedica-se à falsificação de assinaturas de autores famosos que já faleceram. Livros raros, primeiras edições, fazem as delícias dos colecionadores de livros, mas se estes contiverem uma assinatura do seu autor preferido ainda melhor. Mas o narrador de Os Falsários, apaixonado por Conan Doyle é, também ele, um apaixonado pelo colecionismo, paixão que herdou do seu pai. 

Logo nas primeiras páginas vamo-nos deparar com a morte macabra do cunhado de Will, Adam, que aparece com as mãos decepadas, acabando por morrer. 

Will e Adam têm algo em comum. Ambos gostam de colecionar livros, e ambos nutrem uma profissão secreta: a de falsários. Apesar de tanto em comum os dois cunhados apenas se suportam por causa de Meghan, que não se apercebe da animosidade dos dois homens.

A história é contada apenas do ponto de vista de Will, pelo que vamos tendo uma ideia muito má sobre Adam. Mas será que o cunhado assassinado era assim tão execrável? Será que Will não nos tenta ludibriar, visto nunca ter gostado dele?

Até ao final do livro não conseguimos perceber isso. E a revelação do assassino também apenas nos é garantida praticamente já na recta final, já que nem o próprio Will tem certezas do que quer que seja. Mas, avaliando bem o seu todo, a procura pelo assassino de Adam não é assim tão importante na história. Se o leitor busca a adrenalina, quase sempre presente num thriller, desengane-se que não foi isso que o autor pretendeu imprimir na história. A história principal é a falsificação de exemplares de livros, com as assinaturas, o mais fiel possível dos autores dos mesmos, e o mercado de interesses à volta disso.

Tudo o resto é acessório.

Por se tratar de um livro sobre livros, este é um livro que recomendo.




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