sábado, 2 de setembro de 2017

Terra de Espíritos - Jodi Picoult [Opinião]

Título: Terra de Espíritos
Autor:
Jodi Picoult
Género: Romance
N.º de páginas: 512
PVP: € 18,80

Jodi Picoult, uma das autoras mais populares da atualidade, está de regresso com um novo livro: Terra de Espíritos. Desta vez a autora aventura-se na temática do paranormal, mas sem nunca abandonar as questões éticas e morais que estão sempre presentes nos seus livros.
Terra de Espíritos conta-nos uma extraordinária história de espíritos, de amor e de destino, marcada por um crime passional e centrando-se numa parte obscura e pouco conhecida da história norte-americana: o projeto eugénico dos anos 30, que visava “melhorar” o património genético da raça humana.
Neste contexto, é explorada a maneira como as coisas voltam para nos assombrar. Tanto literal como figuradamente.
«O amor verdadeiro é como os fantasmas: todos falam dele, mas poucos o viram».

A minha opinião: 
Os temas paranormais não são mesmo o meu género preferido e, se não fosse escrito por Jodi Picoult, muito provavelmente não pegaria neste "A Terra dos Espíritos". E as primeiras 150 páginas não me convenceram de todo. Primeiro porque o tema principal não me seduziu inicialmente e depois porque Jodi criou imensas personagens que, até entrarmos verdadeiramente na história, me fez perder um pouco na mesma.

Mas depois do impacte inicial comecei a envolver-me e não consegui parar de ler.

A história começa com a contratação de Ross Wakeman, um investigador paranormal, para que investigasse algum fenómeno que impedisse a construção de um centro comercial num terreno que dizem ser um antigo cemitério índio. Ross tem os seus próprios problemas. A sua noiva morreu num trágico acidente e ele sente-se culpado por não a ter salvado a tempo. 

No meio da investigação conhece uma estranha mulher, Lia Beaumont, que só aparece à noite, naquele terreno. Intrigado e completamente rendido à bela mulher, Ross tenta saber mais aprofundadamente de quem se trata e a realidade apresentada mais para a frente da história vai deixá-lo sem palavras.

Mas, felizmente para mim, a história não trata apenas de fenómenos paranormais. Sou completamente céptica à existência em espíritos, pelo que essa parte não me entusiasmou por aí além, apesar de ter gostado de Lia e da sua história, aliado à forma como se cruza com Ross e com a resoluação de uma possível crime ocorrido no início do século XX.

A personagem que mais me agradou conhecer, a par de Lia, foi Ethan, um menino que sofre de uma doença dermatológica denominada Xeroderam Pigmentoso, XP. Um rapaz adorável, cuja vida se passa apenas à noite, quando o sol não pode prejudicá-lo. A exposição solar pode originar cancro de pele, aliado a uma esperança média de vida muito pequena.

A doença não impede que Ethan seja um menino feliz e deve essa felicidade a Shelby uma mãe que faz tudo pelo seu filho. Trabalha de dia, mas à noite acompanha o filho em brincadeiras ao ar livre roubando algumas horas de sono à cama.

Pelo meio encontramos Eli, um polícia um pouco atípico. Vive sozinho com o seu cão e também é assaltado pela aparição de espíritos, sobretudo quando dorme. E Spencer Pike, um idoso que está no centro de toda a polémica já que foi ele que vendeu o terreno que albergará o futuro centro comercial.

A viagem ao passado vai levar-nos à Eugenia, uma espécie de controlo das raças, antecessora do nazismo. O tema é muito bem explorado por Jodi, que mostra o quanto a convicção de melhorar uma determinada raça, faz com que os seguidores da Eugenia, nos anos 20/30, na sua maioria pessoas influentes, discriminem determinadas raças, levando-as, inclusive, a estirilzá-las.

Esta parte da História foi a que mais me agradou, como devem calcular. O tema passou a centrar-se na Eugenia e, apesar de os espíritos "rondarem" a narrativa, passaram, para mim, a ser um caso secundário.


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